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Dia Nacional de Reflexão e Luta Contra o Racismo

Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição – sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravizados.

A decisão veio após mais de três séculos de escravidão, que resultaram em 4,9 milhões de africanos traficados para o Brasil, sendo que mais de 600 mil morreram no caminho. Contudo, a abolição foi resultado de diversos fatores, entre eles, o crescimento do movimento abolicionista na década de 1880, cuja força não podia mais ser contida.

Em 1884, quatro anos antes do Brasil, os Estados do Ceará e do Amazonas acabaram com a escravidão, dando ainda mais força para o movimento. Ainda que a mão-de-obra escrava não fosse a principal atividade econômica, revelando a obsolescência e a inviabilidade da mão de obra cativa, é importante destacar que a organização e atuação de associações e de líderes abolicionistas assumiu, naquelas circunstâncias, dimensões e eficácia política singular, conforme aponta o historiador e professor da Universidade Estadual Paulista Paulo Henrique Martinez.

Nesse contexto, vale apresentar Maria Tomásia Figueira Lima. Segundo o Dicionário de Mulheres do Brasil, ela foi cofundadora e a primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras que, em 1882, reunia 22 mulheres de famílias influentes para argumentar a favor da abolição. Maria Tomásia estava presente na Assembleia Legislativa no dia 25 de março de 1884, quando foi realizado o ato oficial de libertação dos escravizados do Ceará, que deu força à campanha abolicionista no país.

A data 13 de maio serve para lembrar a data e suas consequências, mas em uma perspectiva completamente oposta à celebração ou reconhecimento à monarquia. É um dia de denúncia contra o Estado brasileiro que ainda é responsável pela condição de miserabilidade e vulnerabilidade que a população negra enfrenta. Não só hoje, mas ao longo da história. Tudo isso se dá por um tipo de abolição inconclusa que não indenizou a população preta e permaneceu sem criar mecanismos de amparo e inclusão no mercado de trabalho aos escravizados e seus descendentes.

É extremamente necessário compreender a construção da nossa sociedade a partir desse processo, de modo que possamos enxergar o racismo presente na atualidade e encontrar meios para o enfrentamento. Que o 13 de maio seja um dia de denúncia do racismo e de luta por justiça, por reparações históricas e contra o genocídio da população negra que permanece.