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Dia Internacional das Mulheres – 08 de março

O dia 8 de março é o resultado de uma série de lutas e reivindicações das mulheres (principalmente nos EUA e Europa) por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos. No dia 25 de março de 1911, cerca de 145 trabalhadores (maioria mulheres) morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança do trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores norte-americanos.

Porém, no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, a alemã Clara Zetkin propôs uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. Contudo, o 8 de março acabou prevalecendo, graças à onda de protestos contra a fome e a Primeira Guerra Mundial que tomaram conta da Rússia em 1917. Um grupo de operárias saiu às ruas em um desses protestos no dia 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo — 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Um momento importante na história da mulher brasileira foi no dia 24 de fevereiro de 1932, data a qual foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta e reivindicações das mulheres que até os dias de hoje se mostram importantes em face do machismo, racismo, sexismo enfrentados diariamente por milhares de mulheres em todo o mundo.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História:

· 1840 – Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

· 1859 – Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

· 1862 – Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

· 1869 – É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.

· 1870 – Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

· 1878 – Criada na Rússia uma Universidade Feminina.

· 1893 – A Nova Zelândia torna-se o primeiro país do mundo a conceder direito de voto às mulheres (sufrágio feminino). A conquista foi o resultado da luta de Kate Sheppard, líder do movimento pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia.

· 1951 – A OIT (Organização Internacional do Trabalho) estabelece princípios gerais, visando a igualdade de remuneração (salários) entre homens e mulheres (para exercício de mesma função).

Algumas das mulheres que fizeram história na América Latina:

· Comandanta Ramona – México: Foi uma das lideranças do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), de Chiapas, no México. Ramona ajudou a criar a Lei Revolucionária das Mulheres e foi referência na luta pelos direitos das mulheres indígenas.

· Patria Mirabal, Minerva Mirabal e Maria Teresa Mirabal – República Dominicana: As irmãs Mirabal foram três irmãs dominicanas que se opuseram à ditadura de Rafael Trujillo e foram assassinadas em 1960, transformando-se em símbolos da resistência popular.

· Leila Gonzalez – Brasil: Ajudou a fundar instituições como o Movimento Negro Unificado (MNU), o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga e o Olodum. Sua militância em defesa da mulher negra levou-a ao Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), no qual atuou de 1985 a 1989. É considerada a primeira intelectual negra no País, na Enciclopédia Encarta Africana e em “Mulheres Negras do Brasil”.

· Elvia Carrillo Puerto – México: Foi uma líder feminista de sua época, conhecida como Monja Roja del Mayab. Fundou em 1012, a primeira organização feminina de campesinas no México. É reconhecida hoje no México por sua “defesa, proteção, exercício e investigação dos direitos humanos das mulheres e da igualdade de gênero no país”.

· Maria Victoria Santa Cruz – Peru: Foi poeta, coreógrafa, folclorista e estilista. Fundou a companhia Teatro y Danzas Negras del Perú. É considera a difusora da cultura negra no Peru. É conhecida por interpretar o poema “Me gritaron negra”.

· Rigoberta Menchú – Guatemala: Foi contemplada com o Nobel da Paz de 1992, pela sua campanha pelos direitos humanos, especialmente a favor dos povos indígenas, sendo Embaixadora da Boa-Vontade da UNESCO e vencedora do Prêmio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional. Filha de Vicente Menchú Pérez, ativista em defesa das terras e dos direitos indígenas e de Juana Tum Kótoja, parteira indígena.

Referências: 

Por que o Dia da Mulher é celebrado em 8 de março? | National Geographic 

Dia Internacional das Mulheres: a origem operária do 8 de março – BBC News Brasil 

8 de março: 10 mulheres da América Latina que você precisa conhecer