
Estatísticas e os Impactos da Violência na Saúde Mental das Mulheres
Os registros do sistema de saúde brasileiro indicam que as mulheres continuam expostas a diferentes formas de violência e que parte delas acontece dentro de suas próprias casas. Esse padrão reforça a necessidade de compreender a violência, e em especial os homicídios femininos, não como eventos isolados, mas como resultado de trajetórias de violência de gênero que frequentemente incluem agressões físicas, psicológicas e sexuais ao longo do tempo.
Nos últimos onze anos (2013-2023), 47.463 mulheres foram assassinadas no Brasil, conforme registros do sistema de saúde. Somente em 2023, os registros apontam para 3.903 mulheres vítimas de homicídio, o que equivale a uma taxa de 3,5 mulheres por grupo de 100 mil habitantes do sexo feminino. Os dados mais recentes indicam uma estagnação preocupante: entre 2022 e 2023, a taxa de homicídios femininos permaneceu inalterada, enquanto a taxa geral recuou 2,3%. Esse cenário sugere que, apesar da tendência geral de queda nos homicídios, a violência letal contra as mulheres não tem acompanhado o mesmo ritmo de redução, apontando para desafios persistentes em seu combate.
“Mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2024 — o que equivale a 2.400 mulheres violentadas por hora.”
“Em 2024, cerca de 11 mulheres foram vítimas de feminicídio (tentado ou consumado) por dia no Brasil”
“Em 2024, 117 mulheres trans e travestis foram assassinadas no Brasil”
“Ao longo de 11 anos, quase 25 mil mulheres foram atingidas por armas de fogo no Brasil — uma média de 190 homicídios por mês”
Essas frases marcantes não falam apenas de números, falam de vidas, de pessoas que possuem e possuíam sonhos, objetivos, famílias, amigos, amores… até quando essa revoltante realidade existirá? Qual o nosso papel no combate da violência contra a mulher?
Quais os possíveis impactos psicológicos que mulheres vítimas de violência podem apresentar e qual a importância do fortalecimento emocional desse grupo?
Reconhecer o impacto da violência na saúde mental das mulheres é uma forma pela qual a sociedade e o governo podem intervir com o intuito de possibilitar a redução do sofrimento dessas mulheres. Esses impactos da violência podem aparecer de forma imediata ou a longo prazo, já que cada pessoa reage de forma diferente a depender da situação. A violência pode deixar marcas para além das que são vistas na pele e pode levar à solidão, depressão, impotência, desconfiança, irritabilidade, baixa autoestima, ansiedade, sentimento de impotência, abuso de álcool e outras drogas, síndromes de pânico, fobias, etc.
Dado esse cenário de violência, é fundamental que essas mulheres recebam a ajuda de profissionais qualificados que possam dar o suporte necessário para ajudá-las a lidar com o processo no tempo e da melhor forma possível para cada uma
Portanto, o fortalecimento e empoderamento das mulheres são vistos como um mecanismo que as permite elaborar e aprender formas de lidar com as dores as quais foram expostas, sendo mais que essencial o suporte de amigos e familiares nesse processo.
Verdade ou Mito?
“A violência psicológica não deixa marcas, então não é tão grave quanto a violência física.” ❌ MITO – A violência psicológica pode causar traumas profundos, como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), muitas vezes com consequências mais duradouras que as lesões físicas.
“Transtornos de ansiedade e depressão são frequentes em mulheres vítimas de violência.” ✅ VERDADE – Esses são alguns dos diagnósticos mais comuns, além de distúrbios do sono, crises de pânico e fobias sociais.
“Muitas vítimas não buscam ajuda porque têm vergonha ou medo de não serem acreditadas.” ✅ VERDADE – O medo do julgamento e da impunidade são barreiras importantes na busca por apoio.
“A violência doméstica só impacta o emocional da mulher enquanto ela está no relacionamento abusivo.” ❌ MITO – Os efeitos podem perdurar por anos, mesmo após o fim da relação, interferindo em vínculos futuros, trabalho e saúde mental geral.
Referências:
https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/violencia-em-dados/
ORTES, R. de O. T.; NASCIMENTO, M. E. B. do; ALVES , T. de O.; MELO , A. B. O. de; AGUIAR , W. A. C. de; ROSA , V. H. J. da; OLIVEIRA , F. A. C. de; ARAÚJO , M. M. M. de; NASCIMENTO , M. K. dos S.; VIANA, M. C. dos S. IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL DAS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICAS.



