
5 de setembro – Dia Internacional da Mulher Indígena
O Dia Internacional da Mulher Indígena foi estabelecido em 1983 na Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada no povoado de Tiwanaku, na Bolívia. A data relembra a morte de Bartolina Sisa, uma mulher indígena da etnia aimará, que liderou revoltas contra o domínio espanhol na América Latina e foi assassinada pelas forças imperiais na região do Alto Peru (atual Bolívia).
Tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina, as mulheres indígenas desempenham, historicamente, um papel fundamental como agentes de mudança nas famílias, comunidades e na vida de seus povos. A ONU Mulheres destaca que as indígenas são essenciais em diversas economias, trabalhando pela segurança e soberania alimentar, além do bem-estar das famílias e comunidades.
O Dia Internacional da Mulher Indígena, todavia, é uma data para nos lembrar que o racismo tem impedido o movimento de mulheres de apreender e compreender o legado ancestral de sabedoria dos povos e das mulheres indígenas, assim como dos povos e mulheres negras. As lacunas de desigualdade na América Latina e no Caribe ameaçam seriamente a autonomia das mulheres.
Essa situação se agrava no caso daquelas que pertencem a grupos indígenas e enfrentam múltiplos tipos de violência e discriminação. Diante disso, cabe destacar a importância das mulheres indígenas como participantes ativas nas discussões e decisões que impactam diretamente suas vidas, suas comunidades e o futuro de nossos ecossistemas, tornando-se um momento crucial para que sejam discutidos o fortalecimento da atuação feminina e a influência política do movimento indígena no país.
PARA CONHECER:
Sônia Guajajara, povo Guajajara/Tentehar, MA: Estudou Letras e Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e pós-graduação em Educação Especial. Sua militância em ocupações e protestos em defesa de demarcação de terras a levou à coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Sônia é a primeira indígena a ocupar um ministério no governo federal, o Ministério dos Povos Indígenas.
Joênia Wapichana, povo Wapichana, RR: Formou-se em direito pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) em 1997 e cursou o mestrado na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, sendo a primeira mulher indígena advogada no Brasil. Atualmente, exerce a presidência da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) tornando-se a primeira mulher indígena a comandar a entidade.
Célia Xakriabá, povo Xakriabá, MG: É mestre em Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Brasília (UnB) e cursa o doutorado em Antropologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Defende a reestruturação do sistema educacional com a integração das culturas indígenas no currículo de ensino, luta pelos direitos das línguas indígenas ameaçadas e pela demarcação das terras indígenas. Célia é a primeira deputada indígena eleita por Minas Gerais.



